domingo, 17 de junho de 2012

Desbravando cervejas: Corsendonk Tempelier (Bélgica)

Tradição Católica! TEMPLÁRIOS!


Antes de mais nada: Calma. Um pedido de calma aos borrachos e frequentadores de pub's de sempre, acostumados com a sessão alcoólica deste singelo blog, por onde podem encontrar sabores e teores variados, das partes mais longínquas deste mundo. Um pedido de calma. Após uma longa pausa no desbravamento de cervejas, e nas próprias postagens em si, voltamos à nossa normalidade com mais pedradas, e principalmente, com o melhor do alcoolismo encontrado nos mercados, pub's e velhos bares de guerra. Para celebrar este pequeno retorno às atividades, nada melhor que uma cerveja especial.

A encontrei nesta sexta-feira (15 de junho) num excelente bar underground situado a uma quadra da minha casa. Lembro-me dos dizeres de banners ultras, encontrados em estádios europeus (como a Itália), com os seguintes dizeres: "Support Your Local Pub". Este bar, em especial, consegue não apenas a nossa fidelidade por conta do que ele é - virilmente falando - como também consegue nosso infinito apreço, uma vez que há uma infinidade de cervejas importadas em seu estoque. Coisas de Homens, compadres. Nos rendemos fácil à boas pelejas de futebol, assim como nos rendemos, principalmente, às excelentes cervejas disponíveis em prateleiras e freezers do velho cotidiano. E eis que encontrei este tijolaço: A cerveja Corsendonk Tempelier, uma belga que remete ao Tradicionalismo Católico e consegue evocar, via às chamas da Tradição, o espírito guerreiro da Europa secular; das batalhas; do vencer ou morrer; do Espírito Santo. Isto posto, meus nobres, para entender a Corsendonk Tempelier, é preciso recorrer mais uma vez ao processo histórico da coisa.

Criada em 1938, a cervejaria Corsendonk está situada na cidade de Oud-Turnhout, que fica na região da Antuérpia, ao norte da Bélgica. Contudo, a história da cerveja nesta região é extremamente antiga. Os monges de Corsendonk, originários da ordem suíça de Windesheim, não apenas elaboravam as famosas cervejas Corsendonk - em pleno século XVII - como também eram conhecidos por transcreverem livros, ensinarem o Latim, assim como propagarem estudos da Bíblia católica. O imperador Joseph II não estava contente com as atividades dos monges e mandou fechar a cervejaria Corsendonk, além de suas atividades extras, em 1784. Durante o lixo da Revolução Francesa (Sim, lixo!) de 1789, as propriedades de Corsendonk foram confiscadas e colocadas à leilão. E eis que no Século XIX, Florentinus Keersmaekers resolve dar continuidade à antiga cervejaria, reativando o processo de elaboração das bebidas. Ele consegue abrir a companhia em 1909, e na década de 30, há o ressurgimento da Cervejaria Corsendonk. As duas companhias "se fundem" em 1982 e bingo: Temos aqui uma cervejaria excelente, especialíssima no tocante às cervejas de caráter católico e de caráter tradicional, secular.

A Corsendonk Tempelier faz uma homenagem à Ordem dos Templários, tradicional ordem militar de Cavalaria da Igreja Católica Apostólica Romana, criada entre os anos de 1118/1119. A mítica Ordem dos Templários foi responsável por participações nas Cruzadas, nas guerras religiosas que atravessaram os velhos continentes ao longo dos dois séculos seguintes. Caracterizados por utilizarem uma belíssima cruz vermelha em seu peito, além dos trajes brancos sob as armaduras; os cavaleiros da Ordem Templária eram honrados, muito bem treinados em táticas militares, e sabiam como agir diante de circunstâncias adversas. Quando "oficialmente extintos" em 1312, migraram para a Península Ibérica (Espanha e Portugal) onde continuaram, daqueles países, suas operações honradas. Histórias à parte, temos aqui uma excelente cerveja, que consegue resgatar em seu corpo, o tradicionalismo de duas frentes históricas: A elaboração de cervejas pelos monges católicos belgas, assim como a Ordem dos Templários, histórica por si só. Tamanha combinação só pode resultar na vontade imensa de se desbravar tamanha cerveja imponente, de torque, rica em identidade e em sabor. E é o que faremos neste momento.

A Corsendonk Tempelier possuiu uma coloração forte, em tom de mel, opaca e espessa, onde a cerveja torna-se uma verdadeira obra-prima ao ser despejada no copo, parecendo uma espécie de creme de caramelo. Conta com uma excelente formação de espuma, muito consistente, que conta com coloração de leve tendência ao bege-caramelo. Em linhas gerais, a Corsendonk Tempelier preza pelo sabor frutado, com predominância de uvas passas e até um pouco do próprio caramelo, puxando para as tonalidades mais cítricas, como a laranja. Em sua totalidade, é uma cerveja mais adocicada, sendo propícia para uma degustação. Conta com malte de alta fermentação e um lúpulo consistente, que consegue segurar a sensação doce em seu final. Possui 6% de teor alcoólico, o que faz dela uma verdadeira pedrada à hooligan. A Corsendonk Tempelier é uma obra-prima. Uma Pale Ale extremamente refrescante, quando servida gelada, por causa de suas conotações que puxam para uma espécie de leveza, do equilíbrio entre o sabor adocicado e o cítrico, mas sem o prejudicial do exagero de tonalidades. Seu retrogosto puxa para essa tendência frutada, mas seu final é leve. É de ótima drinkability, o que torna esta Tempelier extremamente agradável em ser degustada: Não é pesada. A Corsendonk Tempelier segue o molde clássico e tradicional das cervejas belgas. Segue fielmente o traçado original - da elaboração cervejeira nos monastérios através dos monges - e mantém sua identidade Belga.

Identidade é um elemento extremamente importante em estilos de cervejas. Esta Pale Ale pode nos lembrar bem dos sabores das já desbravados Hoegaarden e Leffe, justamente por conta da complexidade maior no conjunto da obra, do cítrico, do adocidado na medida, das tonalidades que exigem mais dos nossos paladares em relação às cervejas casuais (Aquelas do cotidiano). É um tipo de cerveja que, por seguir a secular tradição belga dos moldes cervejeiros, destaca-se facilmente em relação à muitas outras opções do mercado; por seu sabor tradicional e tenro. Homenagem aos Cavaleiros Templários, nossa Corsendonk Tempelier reaviva a chama do Tradicionalismo Católico, e consegue, via invocação qualitativa, trazer mais do século XII ao péssimo tempo presente; este aqui ateísta e crentista. A Corsendonk Tempelier o faz, com a maestria e a precisação de um guerreiro Templário nas cruzadas. Acerta firme tanto em sabor, quanto em consistência, quanto em... Mentalidade.

Salud!

When Sunday Comes.


Desligue a TV.
Vá pra cancha.
Com Guinness, de preferência.


Casuals.

Veterani.

Veterani, SS Lazio.
1994-2004.

terça-feira, 27 de março de 2012

Desbravando cervejas: Baltika Cooler Kynep Premium (Rússia)


Na geladeira do bar que costumo frequentar assiduamente, há diversas cervejas importadas. Produtos que ampliam demasiadamente as opções, diante do quadro oferecido pelos tradicionais supermercados da cidade. Ainda que mais caras, sabe como é a vida de quem ama cerveja. Uma hora, há de se levar uma destas pra casa. E eis que naquela mesma geladeira, uma única cerveja incrivelmente loira despertava a atenção deste singelo borracho. Entre indas e vindas, decidi levá-la. Era o tipo de situação intuitiva, que dizia n'alma: "Leve que não tem erro". O acerto foi grande, e vamos aos finalmentes com esta belíssima cerveja russa chamada Baltika Cooler Kynep Premium, de 500 ml.

A cervejaria Baltika foi fundada em 1990, já após a dissolução da então União Soviética, na cidade de São Petersburgo, Rússia. A data de fundação é importante, uma vez que a cervejaria precisava de equipamentos modernos capazes de processar a fermentação de itens utilizados na fabricação das bebidas. Em 1996, a cervejaria Baltika se tornou a líder de mercado dentro da Rússia; sendo atualmente dona da liderança do mercado do Leste Europeu. Em 2010, ela registrou um share de mercado em cerca de volumosos 40,6%. Entre suas cervejas, a distribuição das marcas é oferecida aos consumidores de maneira muito interessante: Números. Portanto, da "Baltika 1", que é uma cerveja Light, à Baltika 7 feita pra exportação com maior volume alcoólico, seus produtos são divididos conforme a variação do estilo da cerveja. Não limitam-se à apenas 7, a variedade é maior. Utilizei apenas de um exemplo para amostragem, que você pode conferir clicando nesta foto aqui.

Com tamanho share de mercado, não tardaria para maiores ambições, e eis que entra o lançamento desta cerveja Baltika Cooler Kynep Premium. Criada em 2006, após um extenso projeto de elaboração; a Kynep veio para ser um adicional da cervejaria Baltika: Manter a liderança de mercado com uma bebida leve, simples, arrojada e extremamente refrescante. O resultado deu certo, e eis que as terras distantes do gelo siberiano começam a receber as remessas desta potencial e loiríssima cerveja, que já desperta água na boca apenas pelo ar de sua embalagem.

Pra começar, a Baltika Cooler Kynep Premium possui um sistema de abertura muito interessante e diferente das tampinhas tradicionais. Trata-se da tampa estilo "ring crow", um sistema finlandês que permite que você puxe a tampa de uma borracha revestida com uma camada protetora, sem precisar de abridor, através de uma argola. Prático e eficiente. Sobre o líquido sagrado em sí, as expectativas atendem às exigências. A Cooler Kynep é extremamente equilibrada, leve, com sabor realçado de cerveja, sendo ao mesmo tempo refrescante. Ela é completamente propícia para dias de verão e extremo calor. Não possui aquele típico gosto panificado no estômago, e também não deixa aquele clássico retrogosto azedo das tradicionais brasileiras: É o contrário. Ela desce como uma luva, e o retrogosto é refrescante, gelado. Conta com uma ótima carbonatação, além do malte ampliado sobre o lúpulo, característica perceptível quando degustada nesta temperatura assim, bem gelada. A Cooler Kynep possui uma ótima formação de espuma, e conta com o teor alcoólico comum, de 4,7%. Sua cor amarela é intensa: É mais opaca que as tradicionais nacionais, porém mais transparente que as tradicionais européias. Sua drinkability é formidável, sendo excelente para degustação cotidiana (apesar do preço), tornando possível a chance de se tomar várias sem sentir qualquer mal-estar fora a embriaguez normal. Prazeirosa, aconchegante, com um gosto muito bem equilibrado entre o trigo e o lúpulo, sem adicionais de sabor. É uma cerveja pra liderança de mercado, para brigar com Heinekens, Quilmes, Estrella's Damm's, Corona's e demais poderosas do gênero. Uma Pale Lager pra ninguém botar defeitos.


Apesar do preço consideravelmente salgado para o que ela se propõe - ser uma top de mercado - ainda é possível uma maior compreensão, especialmente por causa dos motivos de importação e impostos sobre estes produtos. Mas isso não impede você de degustar a Baltika Cooler Kynep Premium - caso a encontre - especialmente se sua busca por cerveja reflete algo mais leve, que acentue teu paladar e te refresque pros dias de calor. É uma marca pra ser uma das Top 5 cervejas lagers tradicionais, e portanto, corra pegar a sua.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

OldStyle: Juventude Leonina (Sporting Portugal)


Caminhada dos ultras da Juventude Leonina - Sporting de Portugal - provavelmente no final dos anos 80 ou começo dos anos 90. Nada como a boa e velha fumaça pra cobrir de névoa as ruas e mostrar que o fervo está chegando.

OldStyle: Atletico de Madrid (Espanha) x Vitória de Guimarães (Portugal)

E eis que o Atlético de Madrid - então grande algoz do Real Madrid, antes de ser relegado à algo inútil em troca do Barcelona e da rivalidade bilionária - recebe o Vitória de Guimarães, um clube muito foda de Portugal.

Mais uma foto repleta de bandeiras, cachecóis, sinalizadores e um tipo de fervo que não se vê mais presente em estádios espanhóis, o que ajuda a prejudicar bastante a imagem daquelas Ultras, uma vez que leis restritivas por lá são mais intensas. A Frente Atletico sempre se caracterizou por ser uma torcida absurdamente fanática e fotos desta época costumam comprovar isso.

Temporada 1986-87.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Desbravando cervejas: Murphy's Irish Red (Irlanda)


Há exatamente 1 ano atrás, uma cerveja irlandesa foi desbravada aqui no blog, no caso, a Murphy's Irish Stout em lata, uma versão que serve como concorrente à tradicionalíssima Guinness, em igual versão. Nada mais propício do que relembrar a ocasião, voltando novamente à Murphy's. Desta vez, uma versão diferente, cujo estilo reflete bem a característica irlandesa de se fazer cerveja: Red Ales. Ou mesmo Irish Reds.

A Irlanda é um daqueles países que podem servir como referência no processo de elaboração de cervejas. Algo compreensível, ao ver que tal país situa-se na vizinhança da Grã-Bretanha, cujos países também levam a rica tradição de suas porters. Se as stouts são muito bem criadas para a degustação em dias de rigosoros invernos, o mesmo poderia ser dito das tradicionais ales, cervejas que contam com alto processo de fermentação. Aqui é onde se destaca esta singela Murphy's Irish Red, com sua coloração avermelhada, um tanto característica. A coloração pode te confundir com as versões Bock nacionais ou mesmo com a Brooklyn Brown Ale, mas ao presenciar ao vivo, perceberá essas tonalidades. Como escrito na postagem da Murphys Irish Stout, aquela cervejaria foi fundada em 1856; sob o nome de Lady's Well Brewery. Desde aquela época, a Irish Red vem sendo produzida, ganhando já no século XX a alcunha de Murphy's Irish Red, representando enfim o nome da companhia aos cantos do planeta. Graças à Heineken, a companhia que a exporta e nos presenteia com ela.

A primeira característica que se nota nesta Irish Red é a espessa formação de espuma. A temperatura não influi muito no condensamento, ou seja, se você despejá-la fria ou "mais ou menos" no copo, verá a formação de uma espuma grossa, cremosa, que quase se desenha em conjunto com a cerveja. Achei a semelhança incrível com a Guinness Draught: Estilos diferentes, mas elaboradas sob um mesmo processo tradicional, especialmente levando em conta o malte torrado. Aqui na Murphy's Irish Red não seria diferente. Em seu sabor, é possível notar uma mistura entre um sabor caramelado com tons de madeira, o que torna o cojunto bem cítrico ao paladar. É uma Red Ale equilibrada, que consegue descer bem refrescante, de ótima drinkability, e que conta com um retrogosto extremamente leve. Em sua obra, há poucas notas de amargor, deixando o sabor cítrico-caramelado em relativo destaque. Conta também com uma baixa carbonatação e um teor alcoólico de 5%, algo na medida pra uma bebida deste porte. Como resultado final, é mais uma cerveja que realmente vale a pena de se degustar.

Outro benefício que vale pela Murphy's Irish Red é o seu preço. Por ser importada através da Heineken, a cerveja conta com um preço até acessível para se tomar umas garrafinhas. Fácil de ser encontrada nas grandes redes de mercado, esta versão da Murphy's não decepciona. Segue o estilo clássico e tradicional do processo de elaboração de cervejas irlandesas, prezando sempre por sabores diferenciados. Portanto, fica a dica se você busca uma cerveja consistente, mas que seja bem mais refrescante, propícia para dias como estes de verão.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Tifo80: Atalanta x Genoa, 1986/87


Sciarpata (cachecóis) da Fossa dei Grifoni, no setor visitante.

Partida contra a Atalanta, no estádio Atleti Azzurri d'Italia.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O Carpete (G.K. Chesterton)


"Muitos homens retornariam à fé e moral dos velhos tempos se conseguissem alargar suas mentes o suficiente. É principalmente estreiteza mental que os mantém na rotina da negação. Mas esse alargamento é facilmente mal-entendido, porque a mente deve se alargar para perceber as coisas simples; ou mesmo as coisas auto-evidentes. Precisa-se de um esforço de imaginação para perceber os objetos óbvios contra um fundo óbvio; e especialmente os objetos grandes contra um fundo grande. Há sempre o tipo de homem que não consegue perceber nada exceto uma mancha no carpete, pois não consegue perceber o carpete. E isso tende à irritação, que ele pode exagerar e transformar numa rebelião. Então há o tipo de homem que percebe somente o carpete, talvez porque seja um carpete novo. Isso é mais humano, mas pode estar manchado de vaidade e mesmo vulgaridade. Há o homem que pode ver somente a sala acarpetada; e isso tenderá a isolá-lo demais das outras coisas, especialmente dos quartos dos empregados. Finalmente, há o homem com larga imaginação, que não consegue se sentar num cômodo acarpetado, ou mesmo no quarto de despejo, sem perceber, a todo o momento, o contorno de toda a casa contra seu fundo aborígene de terra e céu. Ele, compreendendo que o teto foi feito, desde o início, como uma proteção contra o sol ou a neve, e a porta contra o frio ou a lama, saberá melhor que o restante dos homens – e não pior –as regras internas. Ele saberá melhor que o primeiro homem que não deve haver mancha no carpete. Mas ele saberá, diferentemente do primeiro homem, porque há um carpete."

(G.K. Chesterton)

Extraído deste link aqui.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Desbravando cervejas: Czechvar Premium Lager (República Tcheca)


E eis que um dos mercados aonde costumo gastar uns trocados com bebidas, estava com diversas novidades do mundo cervejeiro. Claro que os olhos deste singelo blogueiro brilharam, ao ver as prateleiras em questão devidamente recheadas de novas cervejas e marcas até então ainda não vistas por aqui. Nestas horas, a vontade de comprar todo o estoque é imensa, mas como falta a verba (risos), temos que escolher uma de cada vez. E a selecionada para este final de semana foi a cerveja Czechvar, da República Tcheca.

Amigo navegante pode se lembrar do episódio em que a 1795 foi desbravada (clique aqui). Naquela ocasião, falei um pouco sobre a cervejaria Budejovicky Budvar, criada em 1895, que "copiou" a idéia de se fazer cervejas "Budweiser", visto o sucesso que a companhia Budejovicky Mestansky Pivovar estava fazendo com sua Budweiser Beer. O embróglio judicial é complicado de compreensão, mas basicamente a companhia Budvar foi envolvida em um extenso processo ao lado da BMP e da Budweiser americana. A batalha judicial foi terminada no ano de 1911, e seu resultado final permitiu a utilização do nome "Budweiser" apenas por parte da Anheuser-Busch nos Estados Unidos. Desde então, variações do termo Budweiser em tcheco foram aplicadas pelas duas companhias, aos seus produtos. A cervejaria Budvar foi criada por cidadãos e operários tchecos, e dela, deriva uma extensa linha de cervejas. Dentre elas, a Budweiser Budvar Czech Premium Lager, que é a que iremos tratar nas seguintes linhas.

A Budweiser Budvar Czech Premium Lager (Czechvar) é uma cerveja muito boa. À primeira vista já impressiona por uma imponência, tanto na coloração, quanto na formação de espuma. Ela é bem equilibrada e conta com um retrogosto levemente amargo, com pequenas notas cítricas no conjunto do sabor, além de um aroma que lembra maçã frutada. O malte é forte, consistente, e aparenta ter sido torrado em seu desenvolvimento, sugestão apontada em virtude do retrogosto amargo. Apesar desta característica, ela é uma cerveja bem leve na desenvoltura: Se gelada, você consegue degustá-la como se fosse uma Lager normal brasileira, ou seja, você pode tomar boas quantidades da Czechvar. Sua coloração é de um amarelo mais denso, mais escuro, cuja tonalidade chega a lembrar algumas Brown Ales, apesar de ser uma Lager. É uma bebida típica pros dias invernais do Leste Europeu, por conseguir satisfazer o paladar com equilíbrio incrível, que mistura a presença do amargo com a descida leve na garganta. Conta com um teor alcoólico de 5,0%; o que a torna propícia para atividades borrachas, como ir aos jogos de futebol. Imagine fazer isso por lá, hein amigo?

Se formos estabelecer um comparativo, a Budweiser Budvar Czech Premium Lager e a 1795 são muito parecidas. Apesar de serem fabricadas por cervejarias diferentes, tanto a coloração da garrafa, da cerveja, quanto o conjunto de sabores apresentadas por ambas induzem você a um tipo de situação até irônica: Estar frente-a-frente com duas cervejas gêmeas, e ao mesmo tempo, rivais. Fica difícil apontar qual seja a melhor, mas fica muito nítida a sensação de que ambas são superiores à Budweiser norte-americana, justamente por serem trabalhadas com um apreço mais caseiro em sua produção industrializada. Pra quem busca um consumo formidável, sem maiores preocupações além de satisfazer o paladar com uma cerveja realmente decente, a Budweiser Budvar Czech Premium Lager satisfaz o pedido.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Desbravando cervejas: Paulaner Original Münchner Hell (Alemanha)



Opções cervejeiras não faltam. Ainda bem, pois nesta época de verão, o consumo delas torna-se necessário. Nem tanto pra encher a cara, mas sim, pra dar aquela ótima refrescada após um longo dia de trabalho debaixo de sol à pino, coisa que copos de água gelada ou mesmo de sucos acabam não satisfazendo mais. Isto posto, uma postagem torna-se necessária, para quem busca novas opções no mercado, para tirar um pouco do stress cotidiano com o malte sagrado dos deuses. E nada melhor do que recorrermos à Alemanha, um dos grandes países historicamente produtores desta bebida.

Criada em 1634, a cervejaria Paulaner finca suas raízes na Ordem dos Mínimos (Paulaner Orden, em Alemão), que havia sido fundada por São Francisco de Paula em Munique, na região de Neuhauser Straße, no século XVI. Tão forte é esta identidade, que a Paulaner leva em seu símbolo justamente a figura que representa São Francisco de Paula. A tradição não pára por aí. Como se sabe, a cerveja é uma bebida criada pelos monges; e na Munique daqueles tempos, eles já preparavam suas próprias cervejas desde o ano de fundação da Paulaner. Nos dias de festa, a primeira Paulaner Original que os monges ofereciam tratava-se de uma Bockbier, tradicional Bock forte, bem consistente, que acabou se tornando uma espécie de referência em Munique. Apesar da cervejaria Paulaner só ter ganhado este nome em 1994, após várias mudanças que ocorreram desde 1799; o grande começo situa-se justamente com a Ordem dos Mínimos. Uma cerveja católica? Yep! E ótima!

Assim como muitas cervejarias espalhadas pelo globo, a Paulaner possui uma extensa variedade delas, com diferentes estilos e sabores. Uma de suas mais tradicionais (talvez a maior) seja a Paulaner Original Münchner, uma excelente Lager, sendo agora a bola da vez nesta postagem. Criada no final do Séc. XIX, a Münchner é um dos grandes símbolos daquela cidade alemã, e mostra ao mundo, toda a tradição bávara quando o assunto é a elaboração de cervejas. Isso pode ser observado no próprio rótulo dela, que leva os dizeres "Original Münchner Hell". Não é nada de "inferno" (risos). Trata-se de uma terminologia que designa um estilo próprio das Lagers de Munique, douradas, mas com um malte diferenciado, algo que foi aprimorado nos anos de 1830 naquela região, derivando de estilos mais fortes, de colorações mais escuras. História posta, vamos ao que interessa.

A Paulaner Original Münchner possui uma coloração amarela mas de tonalidade um pouco mais escura, mantendo ainda a característica das Lagers tradicionais. O líquido é pouco denso, mescla notas de produção caseira com a artificialidade da produção feita em grandes escalas, o que dá um certo equilíbrio. Retrogosto meio amargo, conta com lúpulo concentrado. Possui uma formação de espuma mediana, consistente, mas que se dissipa rápido. No conjunto da obra é uma cerveja forte, com gosto bem denso e por onde o paladar consegue identificar notas de malte torrado ou semelhante a isso. Foi produzida de acordo com a Lei de Pureza da Baviera de 1516 e possui 4,9% de teor alcoólico, quantidade acima da média das cervejas tradicionais ao redor do mundo. Uma alemã sem grandes destaques, mas cuja ótima drinkability termina por satisfazer bastante o apetite por cervejas fortes. Ideal para se acompanhar com petiscos, como os queijos por exemplo.

Pra quem busca boas marcas de cerveja, querendo economizar no preço, a Paulaner Original é uma boa pedida. Não é barata, mas também não acaba com teu bolso. Similar ao estilo da Birra Moretti, vale a pena saciar o paladar com ela. Especialmente em dias de verão. A Paulaner consegue fugir bem do estilo das nossas opções nacionais, que costumam "encher o bucho" pra te deixar meio borracho.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Graffitis: Grupos ultras do Napoli, representados nas ruas


Durante alguns meses fui coletando algumas fotos dos principais grupos do Napoli, ou melhor, dos graffitis e throw-ups que estes ultras foram realizando pelas ruas daquela principal cidade da região da Campânia, no sul italiano. Trata-se de um nível espetacular de mentalidade, não apenas pela exposição da paixão em tintas e cores, mas principalmente pela manutenção da característica fundamental do graffiti, assim como da pixação (como vocês verão a seguir): A demarcação de territórios.

Como a quantidade de grupos é considerável nas dependências do Estádio San Paolo, é preciso a compreensão sobre onde eles se situam e o que carregam consigo. Basicamente todos os grupos defendem a manutenção da "velha-escola" no futebol, sendo assim, contra as modernidades e repressões.

Na Curva A do Estádio San Paolo, também conhecida como curva sul, estão presentes os grupos Vecchi Lions (Criado em 1992, que leva consigo muito da ideologia das firmas britânicas), os Bronx (criados em 1999), os Brigata Carolina (fundada em 1989 em um bairro hispânico de Nápoles), os Teste Matte (1987), Napoli Sud (1996), os Mastiffs (grupo espetacular fundado em 1991), os Masseria (Que haviam acabado naquele mesmo ano, voltando às atividades logo na sequência), os Rione Sanitá e a própria "Curva A", grupo que faz uma espécie de liderança nas atividades de arquibancada, de rua e de excursões pela Itália e Europa. Estes grupos, especialmente os Teste Matte, já possuem um mental ideológico de centro-direita, no campo político.

Na Curva B, também conhecida como curva norte, já estão presentes os grupos Secco Vive (criado em 1991, formado por ex-integrantes da Masseria), os Fedayn Estranei Alla Massa (tradicional grupo de 1979) e os Ultras Napoli. É na Curva B onde estão as obras coreográficas de maior consistência, tais quais os famosos mosaicos. Suas tendências ideológicas no campo político passam justamente por um mental apolítico, isento de lados; focando apenas a paixão pelo Napoli.

Em idioma italiano, vocês poderão conferir mais sobre estes grupos no Fanzine Rangers nº 80 (clique aqui). O site Mondo Ultras também faz uma breve análise sobre o histórico dessa rapaziada (clique aqui), e você poderá obter mais informações clicando no marcador específico sobre os Napoli, no final desta postagem. Também volto a recomendar o excelente blog português Ultra Um Modo de Vida, que foi fundamental para a elaboração destas linhas napolitanas.

Confiram!











"Sobre todos os obstáculos" (Bronx, 1999)















"Corpo a corpo, cara a cara.
O cheiro arde gás lacrimogênio." (Curva A)



"Na Curva, cante. Na delegacia, cale." (Curva A)


















"Desde 1991 em guarda de uma paixão/fé" (Mastiffs)















"Coerenza & Mentalitá!" (Mastiffs)



























(Napoli Sud, 1996)






"Lâminas aos Infâmes" (Teste Matte)
Satirizando a falta de honra no uso de facas









"Ninguém Como Nós!" (Teste Matte)









"Resistiremos sempre em pé"






"A Nossa Rebelião Contra Avisos e Repressão"















"Ultras... Fora das leis" (Ultras Napoli)
Duplo sentido com a frase "Fuori gli Ultras" que pede liberdade.