terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Tifo80: Atalanta x Genoa, 1986/87


Sciarpata (cachecóis) da Fossa dei Grifoni, no setor visitante.

Partida contra a Atalanta, no estádio Atleti Azzurri d'Italia.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O Carpete (G.K. Chesterton)


"Muitos homens retornariam à fé e moral dos velhos tempos se conseguissem alargar suas mentes o suficiente. É principalmente estreiteza mental que os mantém na rotina da negação. Mas esse alargamento é facilmente mal-entendido, porque a mente deve se alargar para perceber as coisas simples; ou mesmo as coisas auto-evidentes. Precisa-se de um esforço de imaginação para perceber os objetos óbvios contra um fundo óbvio; e especialmente os objetos grandes contra um fundo grande. Há sempre o tipo de homem que não consegue perceber nada exceto uma mancha no carpete, pois não consegue perceber o carpete. E isso tende à irritação, que ele pode exagerar e transformar numa rebelião. Então há o tipo de homem que percebe somente o carpete, talvez porque seja um carpete novo. Isso é mais humano, mas pode estar manchado de vaidade e mesmo vulgaridade. Há o homem que pode ver somente a sala acarpetada; e isso tenderá a isolá-lo demais das outras coisas, especialmente dos quartos dos empregados. Finalmente, há o homem com larga imaginação, que não consegue se sentar num cômodo acarpetado, ou mesmo no quarto de despejo, sem perceber, a todo o momento, o contorno de toda a casa contra seu fundo aborígene de terra e céu. Ele, compreendendo que o teto foi feito, desde o início, como uma proteção contra o sol ou a neve, e a porta contra o frio ou a lama, saberá melhor que o restante dos homens – e não pior –as regras internas. Ele saberá melhor que o primeiro homem que não deve haver mancha no carpete. Mas ele saberá, diferentemente do primeiro homem, porque há um carpete."

(G.K. Chesterton)

Extraído deste link aqui.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Desbravando cervejas: Czechvar Premium Lager (República Tcheca)


E eis que um dos mercados aonde costumo gastar uns trocados com bebidas, estava com diversas novidades do mundo cervejeiro. Claro que os olhos deste singelo blogueiro brilharam, ao ver as prateleiras em questão devidamente recheadas de novas cervejas e marcas até então ainda não vistas por aqui. Nestas horas, a vontade de comprar todo o estoque é imensa, mas como falta a verba (risos), temos que escolher uma de cada vez. E a selecionada para este final de semana foi a cerveja Czechvar, da República Tcheca.

Amigo navegante pode se lembrar do episódio em que a 1795 foi desbravada (clique aqui). Naquela ocasião, falei um pouco sobre a cervejaria Budejovicky Budvar, criada em 1895, que "copiou" a idéia de se fazer cervejas "Budweiser", visto o sucesso que a companhia Budejovicky Mestansky Pivovar estava fazendo com sua Budweiser Beer. O embróglio judicial é complicado de compreensão, mas basicamente a companhia Budvar foi envolvida em um extenso processo ao lado da BMP e da Budweiser americana. A batalha judicial foi terminada no ano de 1911, e seu resultado final permitiu a utilização do nome "Budweiser" apenas por parte da Anheuser-Busch nos Estados Unidos. Desde então, variações do termo Budweiser em tcheco foram aplicadas pelas duas companhias, aos seus produtos. A cervejaria Budvar foi criada por cidadãos e operários tchecos, e dela, deriva uma extensa linha de cervejas. Dentre elas, a Budweiser Budvar Czech Premium Lager, que é a que iremos tratar nas seguintes linhas.

A Budweiser Budvar Czech Premium Lager (Czechvar) é uma cerveja muito boa. À primeira vista já impressiona por uma imponência, tanto na coloração, quanto na formação de espuma. Ela é bem equilibrada e conta com um retrogosto levemente amargo, com pequenas notas cítricas no conjunto do sabor, além de um aroma que lembra maçã frutada. O malte é forte, consistente, e aparenta ter sido torrado em seu desenvolvimento, sugestão apontada em virtude do retrogosto amargo. Apesar desta característica, ela é uma cerveja bem leve na desenvoltura: Se gelada, você consegue degustá-la como se fosse uma Lager normal brasileira, ou seja, você pode tomar boas quantidades da Czechvar. Sua coloração é de um amarelo mais denso, mais escuro, cuja tonalidade chega a lembrar algumas Brown Ales, apesar de ser uma Lager. É uma bebida típica pros dias invernais do Leste Europeu, por conseguir satisfazer o paladar com equilíbrio incrível, que mistura a presença do amargo com a descida leve na garganta. Conta com um teor alcoólico de 5,0%; o que a torna propícia para atividades borrachas, como ir aos jogos de futebol. Imagine fazer isso por lá, hein amigo?

Se formos estabelecer um comparativo, a Budweiser Budvar Czech Premium Lager e a 1795 são muito parecidas. Apesar de serem fabricadas por cervejarias diferentes, tanto a coloração da garrafa, da cerveja, quanto o conjunto de sabores apresentadas por ambas induzem você a um tipo de situação até irônica: Estar frente-a-frente com duas cervejas gêmeas, e ao mesmo tempo, rivais. Fica difícil apontar qual seja a melhor, mas fica muito nítida a sensação de que ambas são superiores à Budweiser norte-americana, justamente por serem trabalhadas com um apreço mais caseiro em sua produção industrializada. Pra quem busca um consumo formidável, sem maiores preocupações além de satisfazer o paladar com uma cerveja realmente decente, a Budweiser Budvar Czech Premium Lager satisfaz o pedido.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Desbravando cervejas: Paulaner Original Münchner Hell (Alemanha)



Opções cervejeiras não faltam. Ainda bem, pois nesta época de verão, o consumo delas torna-se necessário. Nem tanto pra encher a cara, mas sim, pra dar aquela ótima refrescada após um longo dia de trabalho debaixo de sol à pino, coisa que copos de água gelada ou mesmo de sucos acabam não satisfazendo mais. Isto posto, uma postagem torna-se necessária, para quem busca novas opções no mercado, para tirar um pouco do stress cotidiano com o malte sagrado dos deuses. E nada melhor do que recorrermos à Alemanha, um dos grandes países historicamente produtores desta bebida.

Criada em 1634, a cervejaria Paulaner finca suas raízes na Ordem dos Mínimos (Paulaner Orden, em Alemão), que havia sido fundada por São Francisco de Paula em Munique, na região de Neuhauser Straße, no século XVI. Tão forte é esta identidade, que a Paulaner leva em seu símbolo justamente a figura que representa São Francisco de Paula. A tradição não pára por aí. Como se sabe, a cerveja é uma bebida criada pelos monges; e na Munique daqueles tempos, eles já preparavam suas próprias cervejas desde o ano de fundação da Paulaner. Nos dias de festa, a primeira Paulaner Original que os monges ofereciam tratava-se de uma Bockbier, tradicional Bock forte, bem consistente, que acabou se tornando uma espécie de referência em Munique. Apesar da cervejaria Paulaner só ter ganhado este nome em 1994, após várias mudanças que ocorreram desde 1799; o grande começo situa-se justamente com a Ordem dos Mínimos. Uma cerveja católica? Yep! E ótima!

Assim como muitas cervejarias espalhadas pelo globo, a Paulaner possui uma extensa variedade delas, com diferentes estilos e sabores. Uma de suas mais tradicionais (talvez a maior) seja a Paulaner Original Münchner, uma excelente Lager, sendo agora a bola da vez nesta postagem. Criada no final do Séc. XIX, a Münchner é um dos grandes símbolos daquela cidade alemã, e mostra ao mundo, toda a tradição bávara quando o assunto é a elaboração de cervejas. Isso pode ser observado no próprio rótulo dela, que leva os dizeres "Original Münchner Hell". Não é nada de "inferno" (risos). Trata-se de uma terminologia que designa um estilo próprio das Lagers de Munique, douradas, mas com um malte diferenciado, algo que foi aprimorado nos anos de 1830 naquela região, derivando de estilos mais fortes, de colorações mais escuras. História posta, vamos ao que interessa.

A Paulaner Original Münchner possui uma coloração amarela mas de tonalidade um pouco mais escura, mantendo ainda a característica das Lagers tradicionais. O líquido é pouco denso, mescla notas de produção caseira com a artificialidade da produção feita em grandes escalas, o que dá um certo equilíbrio. Retrogosto meio amargo, conta com lúpulo concentrado. Possui uma formação de espuma mediana, consistente, mas que se dissipa rápido. No conjunto da obra é uma cerveja forte, com gosto bem denso e por onde o paladar consegue identificar notas de malte torrado ou semelhante a isso. Foi produzida de acordo com a Lei de Pureza da Baviera de 1516 e possui 4,9% de teor alcoólico, quantidade acima da média das cervejas tradicionais ao redor do mundo. Uma alemã sem grandes destaques, mas cuja ótima drinkability termina por satisfazer bastante o apetite por cervejas fortes. Ideal para se acompanhar com petiscos, como os queijos por exemplo.

Pra quem busca boas marcas de cerveja, querendo economizar no preço, a Paulaner Original é uma boa pedida. Não é barata, mas também não acaba com teu bolso. Similar ao estilo da Birra Moretti, vale a pena saciar o paladar com ela. Especialmente em dias de verão. A Paulaner consegue fugir bem do estilo das nossas opções nacionais, que costumam "encher o bucho" pra te deixar meio borracho.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Graffitis: Grupos ultras do Napoli, representados nas ruas


Durante alguns meses fui coletando algumas fotos dos principais grupos do Napoli, ou melhor, dos graffitis e throw-ups que estes ultras foram realizando pelas ruas daquela principal cidade da região da Campânia, no sul italiano. Trata-se de um nível espetacular de mentalidade, não apenas pela exposição da paixão em tintas e cores, mas principalmente pela manutenção da característica fundamental do graffiti, assim como da pixação (como vocês verão a seguir): A demarcação de territórios.

Como a quantidade de grupos é considerável nas dependências do Estádio San Paolo, é preciso a compreensão sobre onde eles se situam e o que carregam consigo. Basicamente todos os grupos defendem a manutenção da "velha-escola" no futebol, sendo assim, contra as modernidades e repressões.

Na Curva A do Estádio San Paolo, também conhecida como curva sul, estão presentes os grupos Vecchi Lions (Criado em 1992, que leva consigo muito da ideologia das firmas britânicas), os Bronx (criados em 1999), os Brigata Carolina (fundada em 1989 em um bairro hispânico de Nápoles), os Teste Matte (1987), Napoli Sud (1996), os Mastiffs (grupo espetacular fundado em 1991), os Masseria (Que haviam acabado naquele mesmo ano, voltando às atividades logo na sequência), os Rione Sanitá e a própria "Curva A", grupo que faz uma espécie de liderança nas atividades de arquibancada, de rua e de excursões pela Itália e Europa. Estes grupos, especialmente os Teste Matte, já possuem um mental ideológico de centro-direita, no campo político.

Na Curva B, também conhecida como curva norte, já estão presentes os grupos Secco Vive (criado em 1991, formado por ex-integrantes da Masseria), os Fedayn Estranei Alla Massa (tradicional grupo de 1979) e os Ultras Napoli. É na Curva B onde estão as obras coreográficas de maior consistência, tais quais os famosos mosaicos. Suas tendências ideológicas no campo político passam justamente por um mental apolítico, isento de lados; focando apenas a paixão pelo Napoli.

Em idioma italiano, vocês poderão conferir mais sobre estes grupos no Fanzine Rangers nº 80 (clique aqui). O site Mondo Ultras também faz uma breve análise sobre o histórico dessa rapaziada (clique aqui), e você poderá obter mais informações clicando no marcador específico sobre os Napoli, no final desta postagem. Também volto a recomendar o excelente blog português Ultra Um Modo de Vida, que foi fundamental para a elaboração destas linhas napolitanas.

Confiram!











"Sobre todos os obstáculos" (Bronx, 1999)















"Corpo a corpo, cara a cara.
O cheiro arde gás lacrimogênio." (Curva A)



"Na Curva, cante. Na delegacia, cale." (Curva A)


















"Desde 1991 em guarda de uma paixão/fé" (Mastiffs)















"Coerenza & Mentalitá!" (Mastiffs)



























(Napoli Sud, 1996)






"Lâminas aos Infâmes" (Teste Matte)
Satirizando a falta de honra no uso de facas









"Ninguém Como Nós!" (Teste Matte)









"Resistiremos sempre em pé"






"A Nossa Rebelião Contra Avisos e Repressão"















"Ultras... Fora das leis" (Ultras Napoli)
Duplo sentido com a frase "Fuori gli Ultras" que pede liberdade.